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Quanto custa um carro de verdade?

Impostos, seguro e combustível são apenas alguns exemplos de gastos que não são planejados na hora da compra do veículo. O gasto final pode ser três vezes maior que o financiamento

“Se a prestação couber no bolso, eu levo o carro.” Esse pensamento, comum na hora da compra de um veículo, pode comprometer o orçamento da família e fazer com que o carro se torne um peso grande demais para ser carregado. Na concessionária, esquece-se do combustível, seguro, impostos, manutenção... A lista é grande e o total destinado ao carro mensalmente pode chegar a três vezes o valor da prestação – é o que mostra uma simulação com três veículos pesquisados pela Gazeta do Povo.

CALCULADORA: Calcule aqui o valor dos gastos que tem ao mês com o veículo e compare com a sua renda

A reportagem criou uma tabela de gastos que calcula o peso mensal do carro no orçamento familiar, incluindo as contas anuais, que devem ser planejadas ao longo dos meses. A simulação mostra, por exemplo, que um Uno 1.4 novo, parcelado em 36 vezes de R$ 455, sem considerar o valor da entrada, pode gerar um custo mensal adicional de R$ 1.491 ao consumidor (valor 227% acima da prestação).

Um Fiesta 1.0, parcelado em 36 vezes de R$ 776, também sem a entrada, pode “comer” R$ 1.902 por mês (145% a mais que a prestação), enquanto um Gol 1.6, com a mesma quantidade de parcelas, mas no valor de R$ 1.310, pode quase dobrar os custos mensais, chegando ao total de R$ 2.455 – veja as simulações na tabela abaixo.

“Carro é como um filho”

Especialistas em finanças pessoais falam que os motoristas devem ver o carro como um filho: ele precisa ser alimentado, limpo, passar por consultas de rotina e ter um plano de saúde. Todos esses gastos, porém, devem ser calculados pelo impacto mensal que traz à renda e a soma deve ficar entre 20% e 25% do total do orçamento.

Nessa lógica, uma família com renda total de R$ 5 mil, por exemplo, consegue arcar com uma prestação de R$ 776 (15% do orçamento), mas pode ficar apertada para pagar as contas mensais e poupar para os custos anuais, que podem chegar a R$ 1.902 (38% da renda mensal).

O consultor de finanças pessoais e educação financeira Altemir Farinhas lembra que, em geral, os custos mensais com o veículo chegam ao dobro da prestação. “Não planejar o gasto com o carro acaba contaminando todo o orçamento. Chega a hora de pagar o seguro e vem a pergunta: de onde virá o dinheiro? Como são gastos previsíveis, é preciso separar o dinheiro para o pagamento e não impactar o orçamento”, ressalta.

Solange de Lima Barbosa, professora de Administração da PUCPR, pondera que o conjunto de gastos deve sempre estar previsto e por isso é preciso separar dinheiro mensalmente para as contas anuais. “É preciso considerar todos os gastos e não deixar para pagar os custos anuais só quando eles aparecem. Mensalmente é preciso separar provisões. O desejo às vezes fala mais alto que a necessidade, mas a compra precisa ser racional, não por impulso. Um carro traz tantas despesas quanto um filho”, alerta.

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